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01.05.06
A ETERNA
PAIXÃO JALDE-NEGRA
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Por Marcelo Dantas Ritta *
Onde formos, onde
estivermos, seja nos rincões mais longínquos do nosso amado
Rio Grande, seja em algum outro ponto do extenso território nacional,
sempre encontraremos alguém trajando, com muito brio, a veste Jalde-Negra.
Em qualquer estádio onde esteja o glorioso Grêmio Bagé
em campo, não há que se olvidar que lá estará
a sempre fiel torcida da Rainha da Fronteira, ainda que representada por
uns poucos destemidos, mas sedentos de acompanhar seu clube estimado na
disputa de mais uma peleia, contra o adversário e contra todos
os reveses que acompanham os clubes interioranos. E qual fator explicaria
tal fenômeno? Nenhum outro, diverso das tantas glórias que,
outrora, este clube dera a sua fiel e apaixonada torcida. É por
isso que continuamente ela, tão calejada pelas últimas decepções,
constantes, ano após ano, não abandona o barco e acompanha
a equipe sempre, não importando a hora nem o lugar. Basta uma brasa
reascender e a luz da esperança permanecer viva, que lá
estará o povo Jalde-Negro, apoiando o clube de seu coração,
rumo à conquista do objetivo, que hoje é a recolocação
do clube em uma posição que já foi sua no cenário
do futebol Gaúcho.
Devido a todos
os problemas que assolam a tão bela e tradicional Região
da Fronteira, palco de muitas glórias, em um passado não
tão distante, mas hoje esquecida pelo Executivo Gaúcho,
que só destina recursos à Serra e Região Metropolitana,
em amplo crescimento, sempre em detrimento deste solo e deste povo, que
parece descartado, o nosso clube não tem o investimento que em
outros tempos não era necessário, pois futebol se fazia
com garra, vontade e amor à camiseta. Hoje, para se fazer futebol,
é necessário uma grande quantidade de recursos, e como a
nossa cidade não os possui, parece que teremos de nos acostumar
com este legado: Ver os clubes da Serra, Região metropolitana e
Capital, crescerem e o nosso estagnar, junto com a cidade, o que só
não é pior, em virtude do trabalho de alguns abnegados que
continuam lutando contra o destino cruel, que já traçou
a outros clubes, não menos tradicionais, o fechamento e a entrega
do patrimônio às ruínas.
Mas o glorioso
Grêmio Esportivo Bagé, detentor de um título estadual,
justamente naquele tempo em que futebol se fazia com amor à camisa,
bem como da posição de ser o clube do interior do Estado
que mais chegou às finais do certame da Primeira divisão,
não se entrega; esta abnegada torcida, que acompanha o seu clube
onde quer que esteja, pode se orgulhar das glórias passadas, mas
também do presente, se não em virtude dos títulos
e resultados positivos, em razão da luta destemida que o povo Jalde-Negro
trava para manter a chama da esperança sempre viva no coração
de sua torcida.
No dia de hoje,
temos mais uma batalha decisiva pela frente. Se quisermos ainda manter
a esperança de voltar à elite do futebol gaúcho,
precisamos de mais uma vitória, dentro do reduto jalde-negro, o
estádio da Pedra Moura, onde o Grêmio Bagé, historicamente,
dificilmente é batido. Certamente, o estádio estará
cheio, pois este povo não desiste nunca e estará ao lado
do seu clube até o momento em que não haja mais esperança
de dias melhores. Enquanto ela existe, a torcida estará lá,
incentivando, criticando, mas sempre com o intuito comum, de buscar, novamente,
alcançar as glórias de que fomos alijados, pela falta de
interesse do Poder Público do Estado, que impede a cidade, e tudo
que a circunda, de galgar o crescimento que no passado lhe foi imanente.
Mas se acaso não
conseguirmos, no ano vindouro estaremos todos novamente, travando batalhas
similares, de cabeça erguida, apoiando o Jalde-Negro da Fronteira,
com toda força e motivação, até o dia em que
formos impedidos, por algum percalço que, Deus queira, nunca sobrevenha.
Parabéns,
torcida Jalde-Negra, pela tua força e persistência. Continue
assim, que este clube seguirá sempre vivo, e siga com esta esperança
de, um dia, conseguir o tão almejado propósito:
VOLTAR A SEU
LUGAR DE ORIGEM!
*Marcelo Dantas Ritta, Estudante de Direito da Fundação
Universidade Federal de Rio Grande, torcedor Jalde-Negro.
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